Segunda-feira, 29.03.10

Estudante Cabo-Verdiano

A infância é vivida a entre chegadas e partidas de familiares para a universidade, com uma enorme vontade que cheque a nossa hora, entre sonhos, aspirações e muito debate com os colegas sobre que seremos no futuro. A vida no secundário é marcada pelos primeiros passos naquilo que queremos realmente ser, as primeiras opções de vida que começamos a fazer a quando da escolha da área, as primeiras noções de onde a corrida ao sonho nos levará.

 Já no inicio do fim, quando o secundário esta perto do final, começamos a sentir o coração melancólico, a nossa mente passa em slides todos os momentos passados, todas as alegrias, todas as tristezas, as vitorias e as derrotas, mostrando-nos que a guerra ainda não terminou, mas sim que já conseguimos vencer uma das mais importantes batalhas, sem esquecer que temos outros a nossa espera no nosso caminho pela vida, é neste momento da vida que subdividimos a escola em três, saber, amigos e amores.

DFQQ, reencontramo-nos com velhos conhecidos, da escola primária, amigos a quem já se tinha perdido contactos, temos a expectativa de saber quem vai para a mesma cidade, a mesma universidade, que curso vai fazer, etc., etc. Os dias passados cheios de aflição a tratar dos nossos documentos, das nossas coisas e da nossa vida. Aproximando a hora de partir, a despedida dos familiares, dos amigos, dos conhecidos, com lágrimas nos olhos e no coração.

Como diz o poeta Jorge Barbosa, “querer partir e ter que ficar, querer ficar e ter que partir” é esse o nosso sentimento na hora de partir, seguidos de quatro horas de nostalgia até o encontro do novo.

Chegado a destino, a liberdade, o encontro ao novo, as expectativas e muito mais estão a nossa espera. Como será a minha universidade? A cidade? Os colegas? A casa onde vou viver? O curso? Perguntas que todos fazem, mas perguntas que só o tempo pode responder, sendo que a resposta só se pode obter na hora do retorno à casa.

Ah! Os primeiros dias do paraíso prometido, mas que na realidade mais parece a inferno, os dias de saudade, de querer voltar para casa, de solidão, de angústia, entre outros.

“Sacrificar os poucos, para salvar os muitos”, é esta vida do estudante universitário, uma vida muito atribulado, cheio de trabalhos, provações, de esforços, de surpresas e as muitas vezes de decepções. Mas apesar de tudo, uma vida que dizem os que por ela já passaram, serão os melhores da nossa existência, uma vida que no fim só nos traz recompensas.

Por isso, aos colegas estudantes Cabo-Verdianos, eu digo, estudemos, estudemos por nós, por Cabo Verde e por quem em nos pôs as suas expectativas.

 

Como costumo dizer aos meus colegas: “vejo um diploma no fundo do túnel

Por: Helder Lopes, 1º ano de licenciatura em €conomia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

publicado por estudantescv_portugal às 11:51 | link do post | comentar | favorito
Jéssica Coutinho a 30 de Março de 2010 às 14:46
Acabei de ler o artigo com lagrimas nos olhos!! Fez-me lembrar tudo aquilo que passei para chegar onde estou, e pensar no muito que me falta para alcançar os meus objectivos...Mas realmente  tens razão, é a vontade de corresponder às expectativas e alcançar  o 'fim do tunel' que realmente nos motiva a continuar....
Obrigada pela força e parabéns pelo artigo!!! Ficou sensacional!!!
estudantescv_portugal a 1 de Abril de 2010 às 17:02
Tal como tu, também eu me emocionei a ler o texto do Helder. Foça aí, Jéssica , o "tunel" deve ser percorrico com perceverança mas também disfrutanto de todos os momentos bons e bonitos.
Não resisto a lançar-te o repto de também tu nos enviares um texto sobre a tua experiência como estudante cabo-verdiana em Portugal.
O principal objectivo deste blog é que os estudantes se interajudam uns aos outros e ao escreverem sobre a vossa experiência, deixando o vosso testenhumo, será concerteza útil para algum estudante cabo-verdiano algures em Portugal.
SF
estudantescv_portugal a 1 de Abril de 2010 às 16:51
Obrigada Helder! Um texto muito emotivo e simpático. Penso que muitos se identificam.
Escreve sempre.
SF
Helder Lopes a 2 de Abril de 2010 às 21:21
Olá... antes de mais nada gostaria de agradecer os comentarios.
Também gostaria de lançar um desafio a Jessica para escrever sobre as suas experiencias estudantes em portugal.
Um abraço...


Helder Lopes
Felisberto Andrade a 22 de Abril de 2010 às 15:12
Fidjus di nos terra cretcheu, morabeza, paz, sossego...
Nhos decham spressa na criolo, na lingua di nha berço.

Estudantes Caboverdeanos,

Nós realidade ainda ca mata nem um di nós, nem tão pouco el ta bem ,mata kes gerações k sta pa bem, pamodi nós é raça que dja da prova na tudo canto di mundo.
Nós orgulho, pa tudo kel ké di nós, nos perseverança, nós briu, ta acompanhanu na qualquer realização que nu poi em vista.
Na tudo lugar que nu passa, nu contagia outros ku nós musica, dialecto, cultura, dança, comida, trabadju, responsabilidade, coragem, alegria, sorriso, afabiliadade enfim...
Apesar des duro realidade: trabadju arduo, dificuldades financeiras, sodade de pais, irmãos, amigos e familiares, paisagem, clima, entre outros, nu ta sai  sempre vencedores, alegres, pamodi oras que nu ta sai di nos terra sempre nu ta fladu ma é ca um mar de rosas que sta speranu, mas também é ca um bicho de sete cabeças. Cu trabadju, boa vontade, responsabilidade tudo kel ké possivel ta realiza.
Cabo Verde, legitamente ta reclama parte de nós existencia e quanto mais nu estiver á altura de responde se apelo, midjor el ta avança, midjor sê fidjus ta cresci, num ambiente digno e favorável. É es desafio li que ta motivanu, por isso nu ta studa pa desenvolve nos qualidades morais e espirituais pamodi é disso que nos "terra estimada" ta precisa.
por ultimo nkré decha nhos ku  letra de um musica k nscrevi depois de um de luta li na  Portugal.

Cabo verde si hoje nsta ta dechabu, é ca pamodi nka ta amabu,
Cabo Verde se hoje nsta ta bai pa longe bó, é ca pamodi nka crebu tcheu,
 é sina di bu fidju ké assim, só na bai busca vida midjor.
hoje nsta bai, mas um dia nta volta,
acredita mas nsta bai pam bem midjor.

oras k mpessa na bu clima tropical,
oras k pensa na bu beleza natural,
nha coração ta grita:
Cabo Verde, Ilha do Fogo,
Mosteiros, Achada grande

Achada grande é undi nunca nca ta esquece
pamodi é la k nha bico sta enterrado,
é la k nasci é la k nkria,
é la ké terra di nha mãe cu nha pai.

djam tem sodade de regaço nha mamãe,
djam tem sodade de consedju nha papai,
sodade nhas familias,
sodade nhas amigos.
Cabo Verde, ilha do Fogo, Mosteiros, Achada Grande.

um caloroso abraço, pa nhos tudo...nu sta sempre djunto.

Manuel Felisberto Lopes Andrade
estudante do 1º ano de Ciencia Politica
na Universidade Catolica de Lisboa.



 
estudantescv_portugal a 23 de Abril de 2010 às 07:47
Obrigada Felisberto! 
Escreve sempre, gostei muito da tua mensagem.
SF/Departamento de Estudantes
luis5rela a 2 de Maio de 2010 às 09:42


Boa tarde a todos


Helder Lopes esta de parabéns pela magnifica mensagem que nos ( a todos os estudantes Cabo - Verdianos) envias-te. 


Todos os estudantes cabo - Verdianos passaram por momentos como esses ou pior, enfrentado barreira que aparecem ao longo do caminho. 
De facto o objectivo de um estudante é chegar ao fim do túnel, porque no fim desse túnel, existe uma luz, uma luz que nos traz alegria, vitória e que nos garante ser "alguém" na vida. 


Toda o lado bom da vida, também tem o seu lado mau, mas isso não nos limita e nem nos dá receio de batalhar. Eu também já sofri muito para chegar onde cheguei, é uma salada de problemas: angústia, saudade da terra, financeiras, amorosas, académica e ademais coisas.


São horas e horas sem dormir, porque tem que estudar, fazer relatórios, com o único objectivo, ser bem sucedido. As vezes os colegas lixam-te e tens que correr o dobro para ver se os alcança. Chegamos a confrontar com as coisas mais fúteis e nos deixa a pensar mal, de nós e dos outros e aí cria-se uma barreira a nossa volta, barreira que as vezes nos torna "egoísta". Ter de fazer as continhas e poupar ao máximo para que do nosso pouco chegue até final do mês.


É preciso ser forte e continuar com esse objectivo, porque todas as pessoas tem um objecto na vida, diferentes mas tem! 


Cumprimetos,


LV
Claudina Cruz a 7 de Setembro de 2010 às 00:04


Pela primeira vez, a poucos dias de completar um ano de estudo em Coimbra, pude ler palavras tão simples, mas ao mesmo tempo que tocam profundamente ! Por uns instantes pude viajar ... relembrar tudo desde o início, desde o primeiro sonho, o primeiro suspiro, a primeira certeza, até aos momentos mais incertos, mais inseguros e ao mesmo tempo aqueles que mais me enfortalecem e me fazem caminhar sempre em frente ! Costumo dizer que a saudade será sempre a minha companheira, mas para vencer é preciso ser uma guerreira !
E é com uma força, que muitas vezes, parece querer desaparecer nas muitas dificuldades que ainda hoje e todos os dias tento ver o meu " diploma no fundo do túnel ".

Muitos parabéns pelo artigo, pois as palavras são tão veridicas que nos identificamos com elas ! Apenas aqueles que já passaram ou que passam pelo mesmo conseguem perceber.
Claudina Cruz, Medicina - Coimbra

 
Helder Lopes a 13 de Setembro de 2010 às 18:19
Obrigado a todos, são os vossos comentarios e encorajamentos a força que deve estar a fazer Cabo-verdianos e cabo-verdianas espalhados pelo mundo ter força para lutar, fazendo aquilo que o nosso povo vem fazendo desde os primordios da nossa existencia, mas mesmo assim continuara a faze-lo para a eternidade, feito este é a afrimação enquanto cabo-verdiano... E eu assim como todos voçês quero ser mais um cabo-verdiano a seguir por este caminho, desafio este que a primore peço pela vossa ajuda e lembrovos que tambem o meu se encontra dispunivel, pois que ajudando-nos uns aos outros estamos a ajudar cabo verde...
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